“Sê para que sê, peste dos estares.”

“Sê para que sê, peste dos estares.”

 

Fernando Balduino

Tantos pensam, sequer pensam, que, da Criação em 7 dias, descansou Deus bem no sétimo; em ordem de repousar pelo labor metafísico do processo em que nos fez, os Entes. Ora, não há nisso a mais desgostosa chama da existência? Qual, em substância subtil, danifica a quem muito a desvenda, e esgarça o levinho tecido que encobre o sentido? .

Pois que Deus, sendo ele Ele, fatigou-se de seu trabalho errante, a nós não cabe também um breve repouso ao berço da inexistência? .

Não digo que seria piedoso não haver matéria, ou sequer espírito, mas digo que se afogar nessa violenta torrente dos seres não me parece apropriado, assim como não o foi para Deus.

Assim sendo, por que se me não permite a inexistência? que, enquanto em si durar (sem querer dizer que é eterna), ao retorno ao Ser inclinar-me-ia vigorosamente ao labor e à batalha do És?

Porém, não me concedem. “Sê para que sê, peste dos estares.”

 

 

 

 

 

 

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