O Mulato
Resenha Por Samara Lima
O Mulato
As obras naturalistas sempre me chocam com o seu desfecho final, e isso não foi diferente com O mulato, de Aluísio Azevedo. Escrito em 1881,  no final do século XIX, o livro é considerado como uma das primeiras obras naturalistas do país.
O naturalismo estava em voga, e Aluísio, inspirado em escritores como Eça de Queiroz (Portugal) e Émile Zola (França) escreve uma obra visceral, que por si só, choca a população maranhense, na época, escravagista e monarquista.
Em síntese, a obra aborda a história de Raimundo, jovem bastardo, filho do português, José e da escravizada, Domingas, portanto, mulato. Após seu pai ser morto, a mando do cônego Diogo, Raimundo embarca para Lisboa, afim de ser educado, formando-se anos depois em Direito.
Quando retorna ao Maranhão para saber a origem do seu nascimento, Raimundo é recebido por seu tio e tutor, Manuel Pescada. A convivência em família, faz com que Raimundo se aproxime de sua prima, Ana Rosa, filha de Manuel Pescada, e ambos se apaixonam, porém são impedidos de vivenciar esse romance. Apesar de Raimundo ser descrito como um jovem apessoado, de bonitos olhos azuis e letrado, não faz diferença na população, que ainda o vê, apenas como um “mulato”.
Aluísio Azevedo, na figura de Raimundo, critica a sociedade maranhense, os dogmas impostos pela igreja católica, a escravidão no país, a monarquia e principalmente o racismo enraizado, na então, São Luís, do século XIX. O livro como toda obra naturalista, faz uso do cientificismo, determinismo, positivismo, entre outras características do naturalismo.
Na figura do cônego Diogo, Azevedo discorre sobre uma fé disfarçada de boas ações, mas que no fundo, escondem os mais torpes preconceitos existenciais. Não foi à toa, que o escritor foi censurado e criticado pela sociedade maranhense. Infelizmente, a verdade é dura, e ser mulato na época, era considerado como uma maldição, essa imposta ao jovem Raimundo. O caso é que a história de Raimundo ainda se repete nos dias atuais.
.
@samarinha.123
4500cookie-checkO Mulato

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.